04/08/2006 17:38
NASCERAM OS NÊNES

Novembro 2004
Bem como era de se esperar os filhotes nasceram e três homens de uma vez. E ainda falam que só nascem mulheres.
O Mané ficou emocionado demais com os gêmeos do Leo. Ele é do tipo de amigo que é amigo sempre. Antes de o Tilô falecer ele o visitava todo dia. Mas todo dia é todo dia mesmo. Depois disso veio o triste fim de Maristela e Leonildo ficou em 9 meses sem pai e sem mãe literalmente. Hoje depois de dois anos e meio tenho coragem de escrever um pouco sobre isso.
Bem, acontecem coisas muito tristes, mas como o próprio Leo disse, uma hora tinha que vir uma noticia boa né? Disse isso quando me contou da gravidez da Lu.
O Mané agora visita o Leo todo dia, e vai lá com a filmadora, filma os nêne (é Nêne mesmo, de Neno), dormindo, acordados, dormindo e acordados. O tempo todo filma e chora, chora tanto que tem que ser tirado de perto dos nenês. E faz isso por que? Porque o Mané é uma pessoa emocionante de se viver perto
enviada por Pantaneiro
04/08/2006 17:33
VACINA EM NOVEMBRO DE 2004

Vacina em Novembro 2004
Novembro tudo começa de novo, época de vacinação e vamos pra lá, combina e re-combina, mas Lêo com a Lú grávida de dois nenês e Marcelo com a Cláudia grávida de um, são expressamente proibidos pelas digníssimas de irem para tão longe.
Então acabou que fui eu, meu pai e o tio Zelmo, Mané disse que iria do Pará para lá e encontraria com a gente!
Chegamos lá e nada do Mané! Mas não porque ele não foi, ele já havia passado por lá juntamente com o Dr. Hélio, que pela primeira vez foi na tal fazenda em Novo Progresso.
E não é que passou lá com o couro da onça, um só não, dois couros e disse que deixou encomendados mais 3 curtindo.
Ele é um cara muito ingênuo, parece vivo demais, parece conhecer todas as malandragens do mundo, mas não é; Ele já esteve preso algumas vezes. Como ele diz, na faculdade!
Mane era dono de uma auto escola e se desentendeu com um delegado de Prudente, então entre as exigências feitas pela delegacia e a não concordância de Mané em atender, foi levado algumas vezes a cadeia. As coisas que conta chegam a ser hilária! Entre prende e solta varias vezes ficou amigo dos oficiais e guardas...
- Mané, viemos te prender!
- Ah ! de novo? Puxa! Vamos embora então!
Ele diz que nunca usou advogado. Queria se defender ele próprio o juiz negava a ele e então ele recusava o defensor publico. Imagina a farra! Eu também não confio muito em advogados, mas não arriscaria ficar sem nenhum.
Bem, acabaram-se as prisões quando Mané fez ele próprio uma carta, com sua maquina de escrever que a esposa levou pra ele na prisão. A carta foi para o juiz desembargador explicando o que estava acontecendo. Diz ele que quiseram soltar ele de noite, porque o desembargador mandou. Ele recusou!
- Isso lá são horas de se soltar alguém?
- Mas Mané, você esta livre.
- Eu não vou sair de noite por ai! Ainda mais que moro em Bernardes.
- Mané vá embora, por favor.
- Não vou!
De manhã saiu e foi embora sem dever nada a ninguém.
Mas digo que é muito ingênuo por um outro motivo. Quase todo mundo sabe que falar com ele é rir, e rir o tempo todo. Há momentos que não se sabe quem é o bobo. Quem ri ou quem faz rir. Porque Mané não ri, sempre fala serio. E parece que o assunto mais absurdo é o mais serio!
Num churrasco ele apreciou muito uma carne por demais de macia. Era churrasco com filé mingnon, mas disseram ao Mané que era vulva de vaca.
- É uma delicia!
- Pois é Mané, você tem que encomendar no frigorífico, porque só os donos é que comem, nunca vendem.
Mané encomendou. E pior, resolveu fazer em casa, para a esposa.
- Mulher, você nem vai acreditar que delicia. É super macia.
Bem, na churrasqueira imaginem o que começou a acontecer. Aquilo se entortava, retorcia e queimava sem assar. Foi um vexame o churrasco do Mané! Até hoje o pessoal zomba dele e seu churrasco de b.....
Mas isso é pela pouca malicia que tem e pela muita bondade do seu coração!
enviada por Pantaneiro
04/08/2006 17:31
BARÃO DO CURUTUBA

Eu me achava andador! Quero dizer... um que não tem medo de pegar estrada! Uma vez sai dirigindo, passeando daqui de Sidrolândia, passei por São Paulo, de lá para Santa Catarina, entrei no Rio Grande do Sul, fui a Argentina e depois a Montevidéu no Uruguai! E lá andei por tudo, cheguei a ver Buenos Aires do alto de um farol em Colônia de Sacramento!
Mas nada em se comparando com o Mané! Ele vai de Bernardes ao Mato Grosso, como quem vai à padaria.
Ele acabara de voltar de um inferno no MT e já estávamos indo para Campina de novo. Agora vamos em muita gente, pois meu pai e o Tio Zelmo foram de Avião até Cuiabá e nos, os sete restantes fomos por estrada.
Os dois foram antes e foram para o Porto Cercado, em Poconé! Um hotel de Sesc na beira do Rio Cuiabá, ficaram lá uns dias e quando nós fomos, eles vieram nos encontrar no Porto de Fora (Terra de Rondon), próximo ao Mimoso.
O Mané achou muito luxo e já apelidou o tio Zelmo de Barão do Curutuba e o Pai de Visconde da Campina.
Então era muito engraçado escutar as estórias do Mané e ainda ouvi-lo chamá-los de Barão e Visconde. Uma das histórias mais hilárias que ouvi foi;
Seguindo o caso da Fazenda em Novo Progresso, do Dr. Hélio! Mané enfim contou como foi para lá, levar o trator para o outro lado do rio que ficou com 600 m na cheia para começar a tomar posse da terra comprada pelo Dr. Hélio.
Acontece que vendo o rio daquele tamanho Mané se assustou e deixou o Trator com o caminhão na cidade, foi até a margem do rio e armou um giral onde alojou os viveres, água e ferramentas e voltou com a caminhonete para buscar o trator, quando chegou de volta uma chuva forte tinha levado tudo, viveres, águas, ferramentas, roupas etc. O caminhão voltou para cidade e Mané ficou com mais 3 empregados ajustados lá para decidir como fazer!
Veio outra chuva forte e levou a ponte que ligava onde eles estavam à cidade! Estavam isolados no meio do nada, aí Mané teve que administrar o pânico de estarem sem comida e com 20 l de água. Calma pessoal, fiquem frios, não vamos fazer força e bebam muita água, mas sem desperdiçar. Foram 4 dias sem comer! Com a mesma roupa pensando em como fazer. O Lêo disse que só quando a fome o apertou, porque Mané não sente fome, vive como Bugio, foi que pensou em dar jeito de voltar.
Mandou o trator numas arvores e cobriu o pequeno rio com pau e terra, passou e começou a voltar. Ai achou um pé de Jaracatiá e chegou numa fazenda a qual o matuto acabara de matar uma onça pintada.
Tulião, era daquelas pintadas pretas, onde as pintas são prateadas, linda
O caboclo ia fazer a onça e Mané e seus homens caíram de boca nela, comeram e se deliciaram.
- Mané, não tem gosto de gato?
- Não, eu nunca comi gato, tem gosto de porco, pra mim é o mesmo que um porco!
- Mas Mané, onça é gato!
- Num sei a filiação do bicho, comemos e estava muito boa! Mandei até o cara curtir o couro pra mim, que em novembro eu vou buscar!
- Como vai buscar, quer ser preso?
- Que ser preso que nada, eu digo que comprei de um índio!
Mané tem destas coisas, põe uma coisa na cabeça e nada tira a idéia dele! Mas diz que cabeça dura são os outros e contou uma de um cara que queria comprar uma fazenda numa determinada região, na estrada tal, mas só que tinha que ser do lado direito da estrada, pois ali as terras eram melhores.
Mané levou o tal sujeito pela tal estrada, passou da fazenda fez o homem entrar num posto, fazer o balão e voltar pela mesma estrada, mandou parar e disse. A fazenda é essa aqui do lado direito!
Fala isso com a cara mais seria do mundo! E diz, Ele não queria uma fazenda do lado direito? Então!
enviada por Pantaneiro
04/08/2006 17:29
VACINAÇÃO EM MAIO DE 2004

Maio é mês de vacinação em todo Brasil e teremos que ir para lá (Faz Campina)! Então já estamos combinando o dia e também como sobreviver aos mosquitos!
O Tetão tem uma teoria sobre mosquitos!
Eu acho o seguinte! O mosquito tem mesmo que pegar, é a função dele, ele tem que pegar mesmo, para que serve o mosquito? Mas tem uma coisa. Eles podiam pegar menos! Não dá pra pegar um menos?
É uma ótima teoria e se o mosquito pudesse entender a gente ficaria agradecido!
O Mané nem liga pra mosquito, com o sono que ele tem, o mosquito nem faz cócegas! Eu acho também que mosquito tem o prazer de incomodar, se você não dá bola ele procura outro!
Alias Mané nem se incomoda com ronco, perguntado se consegue dormir com o Tetão roncando ele responde, Eu deito é pra dormir!
E nessa combinação chegou a hora do almoço!
- Que horas são Zelmo?
- Não sei Mané, meu relógio parou, acabou a bateria.
- É isso! Relógio que atrasa não adianta! Não é...?
Então fomos.... uma turma e queriam dizer ao Mané que ele não caberia, pois íamos em 9 e só duas camionetes, mas ele argumentou que cabem 10 então...
Viagem longa, corrida e apertada, muito homem e muita conversa jogada fora, as únicas coisas aproveitáveis foram as historias do Mané! Caio quase se mija de rir!
Como já disse, ele é vendedor de fazendas!
Lêo contou que até com o Tilô, Mané aprontou. Na vez que foi mostrar a Fazenda Tupiniquim em Camapuã para o Tilô e o Lêo, eles perguntaram se a fazenda tinha água;
- Tem, no fundo...
- Dá pra ir lá ver?
- Dá ué! Vanbora!
E anda, anda abre picada pra se chegar ao fundo da fazenda e se deparam com uma cerca!
- Ué Mané, cadê a água?
- No fundo.....no fundo . E faz um sinal apontando com o dedo indicador para o chão!
O Lêo contou que entre ficar bravo e rir, preferiu rir.
- No fundo Mané:
- É, tem que fazer um poço artesiano!
O Tilô comprou a fazenda, hoje tem poço e é uma das mais belas fazendas da região! Mas Mané é muito louco, numa dessas ele morre!
enviada por Pantaneiro
04/08/2006 17:16
A FAZENDA EM NOVO PROGRESSO

Depois desta viajem perdi o contato com o Mané, umas vezes a gente se falou por telefone e outras vezes fiquei sabendo dele por outros.
É que da primeira vez que estivemos lá na Campina, prometi a ele que voltaríamos em março para ver a cheia, ele não esqueceu e nem eu. Mas por esses motivos que não podemos explicar, nunca deu certo.
Se bem que ele ficou também bem ocupado nesse começo de ano. Ocupado é modo de dizer, já que ficou preso em Novo Progresso no Pará.
Dr. Helio comprou por intermédio do Mané uma fazenda lá no Pará. Mané me contou como foi isso, Dr.Hélio queria comprar uma fazenda bruta, pra abrir e foram ver em Novo Progresso essa terra.
- Nós fomos pra lá e chegamos no fim de uma estrada que dava na barranca de um Rio
Ele explicou que a terra ficava do outro lado do rio e que ia bem longe. Dr. Hélio gostara do lugar, disse também que as arvores eram enormes e que compraria a fazenda.
- Mas Mané, quer dizer que vocês nem pisaram na fazenda? Indaguei
- Não! Chegamos na margem do rio, a terra ficava do outro lado e não tinha ponte, vimos, ele gostou e fomos fechar o negocio.
- Você não tem medo de fazer negocio assim?
- Quem tem que ter medo é ele! Dando aquela risada doida! Mas não tem problema, é terra do governo, esta tudo demarcado por satélite. O governo é serio!
- Eu sei, mas mesmo assim, ele tem uma fazenda e nunca pisou lá!
- Nem vai pisar! No mês que vem eu vou lá levar um trator de esteira, o motor e o gerador da Campina e vou fazer uma ponte e por tudo lá dentro!
Dr. Hélio é um médico e investidor e também candidato a candidato a prefeito em Bernardes.
De novembro à dezembro, Mané fez de tudo, negociou um gerador novo na Campina pra vender o velho para o Dr. Hélio, comprou um trator de esteira em Poconé, por intermédio do David, arrumou um acampamento, uma camionete e se pôs em direção ao Pará.
Acontece que em janeiro e fevereiro as chuvas no norte são como um relógio acelerado, chegando lá Mané pode perceber que o rio no qual ele pretendia fazer uma ponte e que já tinha uns 12m na primeira visita, estava agora com uns 600 m de largura. Nem dava pra enxergar a outra margem.
Passou uns dias pensando numa solução e foi ai que a coisa piorou, não dava mais pra voltar. Ele só telefonava pra dizer que ainda tinha esperanças de chegar na outra margem.
Ficou lá 40 dias isolado e molhado!
Num acesso de genialidade ligou para o Lêo.
- Lêo, vê se você arruma alguém ai que tenha uma balsa e que queira vir para cá fazer a travessia em Novo Progresso!
- Pra que Mané? Indagou o Lêo.
- Ora, o cara põe uma balsa aqui e vai ganhar dinheiro! Você não conhece ninguém que queira fazer isso?
- Mané! Só tem você de freguês aí, acha que alguém vai levar uma balsa pro fim do mundo e atravessar um perninha com um monte de ferro velho e depois ficar aí esperando você querer voltar?
- Você acha que não?
- Claro que acho.... você tá ficando louco?
- Acho que sim, acho que é a solidão! E a chuva tá molhando minhas idéias. Mas pode deixar que eu vou dar outro jeito!
E ficou lá até poder voltar, disse que deixou o trator do lado de cá e tudo mais, vai voltar na seca e fazer a ponte!
- Mané! Fazer uma ponte num rio que vai ter 600m no ano que vem de novo?
- Não, eu vou empurrar uns galhos e terra, tampo ele, passo as coisas e depois a água que venha e leve tudo de novo. Aí eu já estou do outro lado! E dá aquela risada!
Na volta ligou de novo e falou para o Lêo que iria passar na Campina!
- Cheguei na Capoeirinha, e aí me disseram que não aconselhavam ir em frente, pois a enchente estava alta, com uma camionete sem tração e sozinho poderia passar algum apuro!
- Você queria chegar lá Mané?
- Claro, eu não falei que queria ver a enchente? Você não foi eu fui!
A Capoeirinha é uma currutela cerca de 15 Km da entrada da Fazenda, lá a água estava dando no meio da porta da camioneta dele!
Eu não desisti de ir ver a cheia ainda! Embora cada dia que passa a vazante leva para mais longe a beleza das águas do mar de Xaraés!
- Mané, que dia que é bom pra gente ir lá?
- Um dia bom é hoje, ou amanhã!
- Hoje Mané?
- É! E tem mais, se a gente for agora eu nem em casa passo! Quando eu voltar eu aviso que fui!
Disposição é isso! O resto é conversa fiada.
enviada por Pantaneiro
04/08/2006 17:11
OUTRA VEZ NA FAZENDA CAMPINA
Novembro de 2003
Mané é bom campeiro, ou devia ser, como disse no começo, lembro do Mané no lombo de uma égua, ele era domador de cavalos.
Agora anda só com aquela filmadora nas costas. Ele diz que é para não perder nada. Uma vez com Tilô e o David toparam com uma onça pintada na Campina. O Mané tocou o cavalo atrás dela, se bem que cavalos não gostam de correr atras de onça
Acuaram a onça e ela subiu numa arvore.
Tá tudo filmado lá em casa.
Assim não da pra duvidar e mesmo o David já tinha me falado, naquele passeio de oito horas a cavalo. Disse que ficou em baixo da arvore filmando e o pessoal de lado, ai a onça pulou por meio deles e foi cavalo espalhando, mas Mané conseguiu filmar uma pintada.
Falando em filmagem, lá na vacinação aconteceu de quando o pessoal trouxe o gado no curral, um enxame de abelhas africanizadas atacou o gado e alguns peões. Foi um pega pra capar. Depois do gado preso veio o medo do enxame atacar o gado no curral, então ficamos naquela duvida de começar a vacinar ou não começar.
O Mané filmando tudo.
Não acaba a fita Mané? Eu perguntei.
Fica frio, tranqüilo, aqui tem! Foi a resposta.
Foi então que o Lêo falou que ele não usa fita. Aí ele foi explicar que isso é outra historia.
Eu fui com o Amim lá pra Paragominas, mostrar uma fazenda pra ele.
Mané, isso é longe hem!.
Da uns 2500Km, fomos num Pampa 85
Oh loco Mané! Mas chegaram?
Sim, se bem que o Amim quando faltavam só 250 Km de estrada de terra, disse que era melhor não ter ido, ai falei Ó um lugar bom pra virar ai
E ele?
Virou e voltamos........ uns 30 Km então ele disse,
Mané, já andamos 2000km de asfalto e 250 de terra, é sacanagem não chegar né?
Ai respondi. Disse o Mane Óh outro lugar bom pra virar ai e chegamos lá. Com a suspensão amarrada com arame
Então ele foi falando do Amim, que queria comprar terra longe com 50 mil e uma Pampa pra viajar. La ele então foi filmar a fazenda do Amim e viu que não tinha fita, mas continuou a filmar, pois falar para o Amim que não tinha fita ia ser muito chato.
Mané, mas você foi? Não sabia que não ia dar negocio?
Claro que sabia! Fui para passear.
Fazer 5000km numa Pampa é passeio?
Claro que é! E cheguei num dia e já vim pra cá no outro, nem desfiz a mala, tinha só medo de não chegar a tempo.
Mané você gosta mesmo de vir para a Campina?
Claro, existe lugar melhor? Antes do Tilô comprar aqui, eu já tinha vindo aqui 3 vezes.
Essa matou todo mundo. Como é que pode conhecer a fazenda antes do Tilô comprar. Ele disse que sim e disse o nome dos antigos donos. Conhece tudo. Não duvide.
E essa vacinação sai ou não sai? Cortou o assunto.
Estamos esperando para ver as abelhas o que vão fazer.
Mas nos não vamos vacinar abelha, ou vamos?
As abelhas podem atacar o rebanho preso, Mané.
Abelhas, um bichinho tão insignificante destes! Larguem de ser vadios!
Filmou um touro com um bezerro bem colado ao lado e disse. Aqui na Campina o pasto é tão bom que até touro da cria
Mané sempre vai com o Lêo para lá, como já disse ele adora aquele lugar, diz que não ha lugar melhor! Ele é um companheirão embora Lêo diga que leva ele não sabe porque!
Eu e Marcelo andávamos sempre atrás do Lêo, ele na camioneta dele com o Mané e nos na camioneta do Tio Zelmo e íamos reparando que o Lêo estava sempre sofrendo pra passar as poças e os barros, rabiava e tinha que às vezes dar o ré.
Nossa essa Hilux é bem pior de barro que a L 200. Diz Marcelo!
É mesmo, acho que é o pneu que é menor. Concluo eu
Numa outra hora o Marcelo fala isso pro Lêo.
É que o Mané não me deixa engatar a tração. Diz Lêo
Como? Porque Mané? Pergunto!
Pra que? Um barrinho mixuruca destes, não precisa! 4x4 é pra coisa bem pior que isso!
Lêo faz uma cara de sofredor! E diz!
Quer pra você! Eu pago, você leva ele pra longe de mim!
Ainda mais que agora, depois que o Lêo passou em cima daquela cascavel, quando paramos o David já havia matado a cobra e o Mané tirou o guiso dela. Quem tira o guiso fica com ele. Eram 16 guiso e significa que ela tinha 16 anos. Eu nunca tinha visto, embora já tenha matado muita cascavel quando criança lá em Prudente, as grandes tinham 7 no Maximo. Não sou muito de matar cobras agora.
Mané ia com aquele guiso dando sustos no Tetão, quando ele ficava distraído ele guisava na orelha e o Tetão dava um pulo. Ele é um menino!
E o caso do Suco de Caju!
Na primeira manhã Mané acordou cedo e saiu com Bahia para apanhar Caju. Da primeira vez que fui com ele os cajueiros estavam em flor e ele disse Na próxima vez você verá, o que vai haver de caju aqui.
Acontece que o sereno deixou todo capim muito molhado e quando estávamos nos aprontando para sair, lá vinha o Mané com o Bahia, cada um de um lado de um saco cheio de caju, muito caju e com as calças toda molhada.
Mané, você acha que os Cajus vão agüentar até o dia de irmos embora, sem gelo? Gritei com ele ainda vindo longe!
É louco, ele acha que o Caju vai agüentar 5 dias na caixa! Disse o Lêo rindo!
Tem muito, se não pegar os passarinhos vão acabar com tudo! Respondeu Mané.
E foram 5 dias com o Mané fazendo suco, espremido com a mão, pois o liquidificador não funcionava. Espremia numa jarra arrepiava de açúcar e gelo da vacina, eu achava delicioso. O pessoal bebia muita cerveja e outras coisas como guaraná, coca e um tal de Red Bull, coisa horrível! O suco do Mané estava louco de especial. Com as cascas ele ainda fez um doce delicioso!
Na volta ainda pegou mais uns dois sacos de caju pra levar, mas no sol de novembro, 250 Km até Rondonópolis, o Caju estragou, ninguém agüentava o cheiro e olhe que estava na carroceria da camioneta.
enviada por Pantaneiro
04/08/2006 17:04
FAZENDA CAMPINA

A Fazenda Campina merece ser vista. O Mané fala, ela é uma fazenda prevelegiada. E é privilegiada mesmo, esta no Pantanal, tem pastagem de pantanal, mas tem matas, cambarazais, aroeiras, ipês, cedros, bacuris ou acuris. Tem campo cerrado, tem campina, pastos nativos entre arvores enormes, tem 13 Km na margem do rio Cuiabá, tem o córrego Acurutuba e como o próprio Lêo diz tem a porra de um ninhal e tem uma alemã lá que cuida dele como se cuida de um filho. Quem nunca viu tantos pássaros juntos não vá lá, poderá pensar que o sol foi coberto. O lugar tem cheiro de guano, de aviário.
Bem chegamos pela estrada que corta a fazenda de leste a oeste, passando bem no meio. Já chegamos medindo, o Mané falando e mostrando as divisas e eu com o GPS tirando os pontos.
Assim fomos, até que no meio dia chegamos no retiro chamado Serragem, lá o David, capataz do Lêo nos esperava. Existe lá uma figueira que nunca vi igual, calculo que tenha uns 400 anos, nela moram uma família de macacos Bugios, vários, fêmeas com filhotes, macho dominante, todo mundo, uns 10 no total.
David é um homem quieto, fala só o que é perguntado, nasceu ali, conhece tudo do pantanal, mas quer conhecer mais ainda. Ele tinha feito um carreteiro, arroz com carne, comemos ali num fogo de chão, sentados num banco sem mesa e em pratos de mãe ágata, com água de um poço raso.
A Serragem é um lugar no meio da parte norte da fazenda, tem um aspecto peculiar, é uma pequena elevação e foi ali que Tilô mandou construir uma pequena casa em palafita para o Japom. Esse Japom é irmão de David, se chama assim pois tem cara de inca, a mãe é boliviana, tem os olhos puxados. A Serragem é um lugar que alaga só quando a cheia é grande, então lá tem um pequeno curral e a casinha.
Mané diz que Japom é dos pantaneiros de verdade, anda de noite, come piranha, paca, dorme em rede, vive meio só e não tem medo de onça. O David mesmo fala que a onça só pega se fizer raiva para ela.
Fomos com o David até a margem do rio para pegar a voadeira (barco a motor) e correr as divisas da fazenda no rio Cuiabá. Na chegada já descemos do carro em cima de uma sucuri. Era filhote, tinha uns 2 metros, como minimizou o David.
Saímos pelo Acurutuba e o Mané num ponto falou;
Aqui nesse ponto o Curutuba é igual a estrada da chapada, uma parte desce pra baixo e daqui pra lá desce pra cima.
E era verdade, a gente vinha contra a correnteza e de repente ficamos a favor dela, sem mudar de rumo. Coisas do pantanal, a água corre pra todo lado, como água numa bacia que você leva na mão.
Passamos pelo ninhal, fomos até o porto onde a ONG da tal alemã cuida do ninhal. O posto de observação fica do lado direito do Cuiabá, no município de Poconé, o ninhal fica dentro da fazenda Campina.
Volta dada, tudo conhecido, um monte de bichos vistos, hora de voltar para casa, quer dizer, a casa da sede da fazenda, uma outra viagem! Havia chovido, e era a primeira chuva depois da seca.
Mané que hora são?
Deve ser umas 5 horas.
Você não usa relógio Mané?
Eu não! Relógio para que? Anoiteceu é de noite! Amanheceu é outro dia! Deu fome é hora de comer. Entendeu?
Eu também não uso relógio, mas não por uma razão tão filosófica assim, talvez seja mais fisiológica. O Mané fecha questão; Peão que usa relógio e pede água comigo não trabalha, coisa de sujeito vadio, ficar só olhando a hora, para que? Para ver o tempo passar, ver se passa rápido?... Não trabalha comigo, é vadio! Entendeu?
E assim chegamos de noite na sede, depois de muito atoleiro, que o David insistia e falar que era o ultimo. Até o Niklas começou a rir, mas sempre é o ultimo!
Dormimos depois de comer outro carreteiro, e no outro dia...o Arãquã, ligou o botão do amanhecer!
Em frente à casa há uma Tarumaraneira, uma fruta muito parecida com a manga no gosto, cheia de ninhos pendurados, enorme, linda. Tilô até levou uma muda para o Ouro Verde, esta plantada lá e o Lêo cuida com muito cuidado.
Como o gado estava lá na Serragem, na sede só havia 2 animais, uma mula e um cavalo, que Mané chamava de Borba Gato. Ele dá nome de Bandeirantes para os animais, não interessa o sexo.
David andou das 4 as 6hs atrás dos animais, tudo é muito longe e não estava previsto andar à cavalo, como choveu, ficou inviável ir com a camioneta. Foi ai que Mané ficou triste, como só havia dois animais, só iríamos eu e David.
Bem, voltamos lá pelas 3 e meia, sem almoço e sem costas e sem pernas. Mané disse que eu voltei com o Borba Gato nas costas, porque era mais rápido. Realmente os cavalos não agüentaram e tivemos que voltar um bom trecho a pé.
Eh Nicolas, você escapou de uma boa hoje, senão era você quem iria ter que trazer a mula nas costas, você viu o David com ela no ombro?
E foi perguntando mais;
Seu pai não é o Fritz?
Não...meu pai não. Dizia o Niklas meio assustado.
Você não é parente do Helmut Bremer? Do Otto, da Clara, Mãe do Herman e da Flúvia.
Todos personagens de Bernardes. Mas Mané insistia em perguntar, já que o Niklas é alemão e esses bernardenses também!
Bem, na sede da fazenda existe outro personagem, o Kalisto, ou Galistinha como é chamado por todos. Ele é um praieiro ou cozinheiro da sede, um paraguaio de 1 metro e meio, que não sabe quando nasceu, escrever e nem quantos anos tem, conhece Poconé e uma vez foi a Cuiabá.
Sabe cozinhar só carreteiro e feijoada, que é um feijão preto. Levei umas coisas como macarrão, molhos em latas, mas ele pensou que era remédio de boi e não usou nada. Só comemos carreteiro. A única coisas mais diferente que ele fez, assim disse Niklas, foi ir no mato, pegar uma grama e fazer um chá. Esse chá o Niklas não toma nem em Londres, chá de erva cidreira, muito bom por sinal, com um bolinho de chuva feito com ovo de seriema, embora o Mané insistisse que era ovo de jacaré.
O Pantaneiro Cuiabano tem um sotaque só dele, fala com um tchá rápido e assoprado em tudo que tem ch ou x, o Galistinha disse O Quetxada pegou o catchorro A bananeira não deu catcho, num tchoveu, então não deu catcho Peitxe bom tem no Cotxipó da Pontchi, então o Japom é dito Djapon
Na volta ainda tivemos que arrumar um F 4000 que o Japom vinha para pegar uns mourões de aroeira para o curral da Serragem e que havia apagado quando passou em cima de um pau durante a vinda na noite anterior.
O Mané, que fez curso de mecânica por correspondência, já queria abrir filtro e sangrar o caminhão.
Mas Mané o jogo de tchave da fazenda esta reduzido a este alicatche de camelô aqui. Eu disse.
Não tem problema, atcho que dá.
Bem ainda bem eu não deixei ele abrir os filtros, senão teríamos que ir lá em Poconé buscar mecânico. Insisti que o problema era de algum fio que o pau teria arrancado, e havia mesmo um fio solto, mas todos falavam que era da buzina. Até que achei o encaixe, no Solenóide da bomba injetora, foi bater e pegar. Só o Japom reconheceu que eu estava certo desde o começo. Mané insistiu que se tivesse sangrado o caminhão iria pegar.
enviada por Pantaneiro
04/08/2006 17:00
RIO MUTÚM

Bem, resolvemos tomar rumo.
A idéia era ir embora até o Rio Mutúm, uma pousada 30 Km antes da fazenda.
Mané, a gente dorme lá e no outro dia já estamos perto da fazenda para começar a trabalhar.
Vamos embora, eu estou aqui para ir!
Na estrada a chuva era muito forte e mesmo que tivéssemos 130 Km para fazer até a entrada de Barão e depois mais 90 Km de estrada de terra dentro do pantanal e ainda que, já eram 4 horas da tarde, ele achou a minha idéia boa!
Eu deveria ter aprendido, isso porque eu já havia dado ouvido às dele na chegada à Cuiabá.
Estávamos com as malas na carroceira da camioneta e a chuva vindo.
Mané acho que é melhor parar para cobrir a carga
Não esquenta.
Mané aquela pancada vem para cá!
Fica frio!
Foram tantas a vezes que ele falou e que a estrada desviou da chuva, que comecei a achar que ele sabia até para onde a chuva ia aqui em Mato Grosso.
Angela por certo não acredita que eu tenha dito isso, acha que o Mané era eu e eu era ele nesse caso! Deve ter suas razões.
Até que veio um toró daqueles de depenar coqueiro, bem na frente de um posto de gasolina, entrei no coberto do posto antes de molhar a carga.
Eu falei para você ficar frio. Calmamente o Mané falou.
O Lêo depois me disse que é assim mesmo. Ele não deixa cobrir carga e nem ligar tração, gosta de aventura.
À partir daí aumentaram para 4 as coisas que deixei de confiar, bicicleta, cigarro de papel, policia e o Mané prevendo chuva.
Saindo da chapada, logo depois do posto policial, há um lugar incrível na estrada, foi a segunda vez que estive lá, mas não consegui entender ainda o caso incrível. A estrada desce, ou parece que desce. Você para e desengata o carro, ele volta... como se subisse para baixo. Fiz de novo vários testes e pareceu agora mais real que a primeira vez. O Carro desce pra cima ou sobe para baixo?
Bem, como era de se esperar e também por um bloqueio na estrada em que ficamos 2 horas parados, cheguei na entrada de Barão na boca da noite. E entramos no pantanal já no escuro da noite chuvosa, numa estrada ruim com o Niklas pensando, Onde é que esses caras vão me levar. Mas o Mané conhecia a estrada e o Niklas não conhecia o pantanal e nem estrada de terra.
Aqui é a Curva Seca, o Pocinha não espera a hora de chegar aqui para comer uns pastéis. Ia dizendo o Mané, no escuro breu da noite.
Eu quis reclamar algumas vezes e disse que deveríamos ter ficado na Chapada ou Cuiabá e o Mané disse.
Olha um lugar bom de virar ai. Com a maior naturalidade.
Mas Mané voltar agora?
É ué, se era para ficar, vamos voltar, olha um lugar bom para virar ai.
Mas nos já estamos aqui.
Então olha um rumo bom para ir em frente. E cuidado o buraco.
Não reclame perto do Mané, ele esta sempre bem com tudo, conhece todos e fala com todo mundo.
No caminho passamos ainda em um posto para comprar gasolina e óleo diesel, chamado Terra de Rondon e num lugar chamado Mimoso para comprar alguns viveres e gelo. Ai fiquei sabendo que Candido Mariano Rondon nascera ali! Comecei a me emocionar.
Estava tudo escuro, pois com a chuva não tinha energia elétrica, aonde chegávamos tínhamos que esperar a luz voltar, e até que não demorava muito, tinha um pessoal correndo a linha e batendo as chaves caídas.
E foi assim meio emocionado que chegamos de noite no hotel, incrivelmente fechado com um colchete na entrada e ainda com o tambor de óleo diesel vazando e molhando toda minha roupa na mala.
É para não entrar vacas aqui, eles fecham de noite. Explicou Mané.
Porque que será? E se vierem hospedes de noite?
Quem é louco pra andar de noite nessas estradas e ainda achar esse caminho para o hotel? Responde Mané tranqüilo!
A Pousada do Rio Mutúm, como é chamada, é algo lindo por excelência. Havia lá dois brasileiros, Eu e Mané, pois até o Niklas era estrangeiro. Italianos, Israelenses etc.
Fomos dormir, depois de Niklas tomar um leite e comer um americano.
Fiquei na varanda da cabana com Mané, eu na rede ele numa cadeira, conversamos muito e ele me falou.
Túlio você esta no meio do pantanal, amanhã você vai acordar com o Arãquã, ele é o primeiro que canta. E também não vamos ficar vendo essas babaquices que esses turistas vem ver não, nos vamos pra fazenda Campina, ai sim você vai ver o que é lindo.
Dito e feito, acordamos e o Arãquã cantava, estranho, mas dava uma emoção diferente. Fomos andar pelo hotel e fomos até o Rio Mutúm, lindo, negro, sereno, como diria Almir Sater (musica de Mário Zan). Lá Mané começou a chamar os jacarés, vem, vem.... e eles vinham, dezenas deles. Mané fala com jacarés! O Niklas ficou meio que abismado!
Tomamos café e estrada de novo, ruim, sem paisagem, paramos só para ver o Gavião Belo, o pai já havia me falado, e foi esse animal que mais o impressionou lá! Como pode ser tão lindo! Pobre falcão, gaviões a águias...
enviada por Pantaneiro
04/08/2006 16:58
CHAPADA DOS GUIMARAES

E agora Mané?
Sei lá, você quem sabe.
Vamos dar um pulo na Chapada dos Guimarães? A Gente dorme lá e amanhã cedo vamos para Campina, assim o Niklas aproveita para conhecer a Chapada.
Vamos, você é quem manda! Eh Nicolas você vai ver que lindo....
E foi falando da Chapada, do Rio Manso e sua represa que agora controla a cheia do pantanal. Eu particularmente achei triste esta noticia, gosto do pantanal sem controle, natural.
Chegamos lá almoçamos num mirante e fomos ver as coisas, foi ai que Mané apresentou sua filmadora, daquelas que se buscava no Paraguai quando tudo era proibido. Grande, de por no ombro e começou a filmar, dizendo que sempre filma todas viagens, embora o Lêo diga que ele não usa fita, mas isto, diz ele, aconteceu, e foi um outro caso.
Como choveu muito e estava meio feio ficar em Chapada, fomos até o parque nacional. Lá tinha um casal de americanos que trabalham para o Discovery Channel, filmando pássaros e gravando cantos. A moça falou com o Mané;
Bancana! Fazendo sinal de admiração pelo lugar.
É mesmo! Respondeu a Mané.
Então Mané começou a explicar ao Niklas e também para moça coisas incríveis dos bichos e da evolução das espécies. Tudo do jeito dele e sem muita verdade, mas foi indo e na hora de ir embora falou para moça...BACANA e fez tchau ... era a única palavra que ela falava em português e ele em inglês.
A vida é assim como a chapada Túlio, cheia de altos e baixos! Pode? É filosofo!
Então resolvemos andar por uma trilha e ver o abismo, o Mané chegou em frente a um paredão separado de por um abismo, se postou numa beirada que cabia apenas metade do pé e ficou ali, gritando com o ECO, Aqui tem Túlio; e perguntou ao Niklas;
Você tem medo de altura ou de baixura? Aqui só tem 3 metros.
Fazendo movimentos como quem ia pular o abismo, pior que Niklas estava junto na beirada, que dava medo só de olhar. Sobre os 3 metros pode multiplicar por 100. Abismos de verdade.
Ainda na volta foi até uma ponta com pedra que fica meio como uma gangorra, balançando, subiu lá e disse ser o primeiro a estar naquele lugar. Alias, ele adora estar em lugares que nunca alguém foi.
Eu acho que você é provavelmente o primeiro Bernardense a pisar ai!.
E brincou com a Isabela, falando para uma gravação que eu fazia, que eu a havia enganado não trazendo-a, como se eu não imaginasse o que ainda viria.
Na saída o tal americano veio perguntar se Mané era guia, pois me vendo junto com o Niklas, não poderia pensar outra coisa. Mané disse que sim e explicou que as barreiras estavam caídas e que o abismo era muito perigoso e que eles não deviam ir. E saiu falando que eles só querem se apropriar das nossas belezas, não dando bola para eles. Mané é um Astro!
enviada por Pantaneiro
03/08/2006 12:24
CUIABÁ

Bem, chegamos a Cuiabá e eu não tinha ainda conhecido bem o Mané. Fizemos coisas burocráticas, como ir a cartório. Tudo resolvido, só amanhã ao meio dia teria o documento pedido, fomos ao hotel e depois saímos para jantar.
O Mané não come de noite, só toma suco! O suco é uma outra especialidade para se conhecer o Mané.. sucos bem diferentes, 2, 3 as vezes 4 sucos.
E arrepia de açúcar e gelo! Ele pede ao garçom.
Sempre reclama que veio pouco açúcar e pede para que coloque mais. Ele não bebe outra coisa a não ser suco. O Marcelo e o Leonildo dizem que ele chega no Sucão lá em Álvares Machado SP e pede...
Um suco de amendoim de entupir canudo, e arrepia de açúcar e gelo!
O Lêo fala;
É 13, é louco! Você acha que isso é normal?
Ele bem que pediu se tinha suco de amendoim, mas achei que era gozação.
Sucos tomados e lanches comidos voltamos ao hotel. Ele muito educado e prestativo como sempre, deixou o Niklas dormir na cama e dormiu num colchão no chão.
A que horas vocês querem acordar amanhã? Perguntou.
As 7 Mané!
Bem eu durmo meio pesado, vocês nem liguem!
E se cobriu, como uma múmia, ficou numa posição de morto, com a cabeça coberta pelo lençol.
Mané, porque você dorme assim?
Mané, o que quer dizer sono pesado?
Mané, Mané....MANÉ.....
Ele já tinha dormido o tal sono pesado. E dizem que não adianta querer acordar, ele diz que pergunta a hora de acordar sempre, ai bota no computador e aponta a cabeça, para não perder a hora.
O Lêo contou que um dia chegaram muito tarde de um leilão, falou em acordar 9 horas no outro dia.
Acontece que o Tetão e o Bahia, motorista e funcionário do Lêo, que dormiam em outro quarto acordaram cedo, o Tetão não agüentou o chulé do Bahia e foram embora cedo, avisando o Lêo que estavam saindo lá pelas 6 hs. Lêo acordou e tentou acordar Mané. Que acordar que nada, ele não acorda nem sacudido. Então às 8:45 ele acordou e o Lêo já estava esperando a tempo.
Ué, você não falou 9 horas? Vou tomar banho e vamos! Tranqüilizou o Mané.
O Lêo como sempre, dá aquele sorriso lateral, vira os olhos e pensa; Adianta reclamar
E da mesma forma, no outro dia como um relógio ele acorda. Perguntei que sono era aquele e ele me disse que era assim, ele desliga e põe hora para re ligar e não adianta chamar, esta desligado.
Minha mulher já quis me levar ao médico por isso. Você acha que dormir é doença? Eu que não vou ao médico, depois ele vai me dar remédio para não dormir. Eu quero é dormir. Entendeu?
Bem fomos no escritório do agrimensor e depois ao meio dia pegamos a tal matricula do cartório.
enviada por Pantaneiro
03/08/2006 12:18
MANÉ PERNINHA
Em outubro (2003) eu conheci, ou melhor, reconheci o Mané!
Mané Perninha é um sujeito único. Manoel Joaquim Lima, falando assim parece um sujeito comum, mas não é.
Eu digo conheci, porque passei a conhecer o personagem e reconheci, porque já o conhecia como pessoa!
Até meus 7 anos morei em Presidente Bernardes, a cidade do Mané, lembro-me que ele morava na minha rua, Lêonildo Denari (meu avô), um quarteirão abaixo, se bem que todo lado lá em Bernardes é para baixo, dependendo do modo de olhar.
A rua era caminho do matadouro, naquele tempo gado andava a pé, então passava boi, passava boiada. Eu sempre gostava de ver ela passar... E lembro de ver o Mané passar numa égua e um filhote do lado, sempre essa imagem que vejo, eles três, parece que sempre a égua dele estava parida.
Então o que conhecia do Mané era isso.
Agora, meu pai e o tio Zelmo foram conhecer a Fazenda Campina, em Barão do Melgaço, pantanal de MT, fazenda do tio Tilô e do Lêo e o Mané foi junto, mas nem fiquei sabendo.
Como tio Zelmo ficou interessado na fazenda e o meu pai disse que era maravilhosa... e bem do jeito que ele gosta de coisas maravilhosas...
O Bruno perguntava na volta;
Pai, e a fazenda é boa?
Ele respondia;
É maravilhosa, o pasto é bom, mas tem uns passarinhos lá.
O Bruno;
E a terra?
A terra parece boa, mas tem umas arvores, uns bichos, que só vendo.
E tem muita água?
Acho que tem, mas tem bicho hem!..... nossa como tem bicho!
Ele gosta das coisas como são.... mudar para que?, lembro que fala sempre, a terra devia ser bonita no tempo dos dinossauros, que paisagens devia ter, o homem estragou tudo, se não tivesse o homem na terra devia ser bom para se visitar. Mas ai não haveria ninguém para ver! Meu pai é mais um Bernardense.
E esses bernardenses são mesmo da fuzarca, sempre ouvi falar que deveriam escrever um livro sobre Bernardes, ou Guarucaia como era chamada antes de pegar moda por nome de presidentes em cidades vizinhas...como o Mané mesmo falou, Tem Presidente Epitácio, Presidente Vensceslau , Presidente Bernardes, Presidente Prudente, Presidente Santo Anastácio e Presidente Alvares Machado. Para quem mora lá perto sabe do que estou falando!
Bem, resumindo Mané, ele é assim...;
- Mané Vamos?
- Vambora!
- Mas ir para onde Mané?
- Não interessa pra onde, o negocio é ir!
E foi com esta disposição que o Mané andou comigo pelas duas vezes que fui na Campina e mais algumas em Bernardes.
Achei que deveria ir ver a fazenda, afinal o pantanal sempre me causou uma atração muito grande.
Bem, marquei de encontrar Mané em Campo Grande, entre 5:30 e 6:00hs na rodoviária, ele vinha de Bernardes.
O Ônibus chegou 6:45h, eu o vi chegar e parar na rampa, mas como estava ainda de madrugada fiquei no carro com Niklas, ... esse Niklas é um guri que veio lá da Alemanha fazer intercâmbio e foi Ângela quem trouxe ou ajudou ele a chegar em Sidrolândia. Angela disse que eu iria a uma aventura, medir uma fazenda no pantanal a 1000 Km daqui, e teria ótimas paisagens para ver, ele quis ir. Então fomos, eu como todos sabem não falo muito bem alemão, mas ele fala português até que bem. O Mané, além do inglês que ele diz que fala e já foi professor, fala outra língua, uma língua rápida e sempre com um entendeu no final. Parece Paolo quando tinha 5 anos.
Bom, o Mané chegou e foi direto para um orelhão, me ligou e disse, Túlio, cheguei!
Eu sei Mané, eu vi o ônibus, onde você esta? Eu disse.
Eu estou aqui naquela rua assim do lado da rodoviária. Ele respondeu
Qual rua Mané, a rodoviária é uma quadra? Tornei a perguntar.
Aquela assim, que passa na frente ou do lado, quer dizer do lado de cá. Confundindo mais ainda Mané.
Mas Mané onde você foi parar? Perguntei.
Aqui do lado de cá, assim na frente. Respondeu.
Mané eu estou atrás da cabina da polícia! Finalizei.
Então você esta atrás de mim! Concluiu ele.
Saí do carro e ainda peguei o Mané desligando o telefone.
Tulio, o cara que anda de ônibus tá é fudido! Fudido!
Porque Mané?
Por que tá! Tô atrasado não tô?
Tudo bem Mané.
Olha, depender de Ônibus, o cara tem que se fuder!
O Mané nem deu oi para o Niklas, estava bravo com o ônibus, dizem que esta foi a única vez na vida que Mané ficou bravo, mas durou 3 minutos, estava bravo porque ele havia vindo parando em todas as cidades, se bem que quase só há cidades no estado de São Paulo, nos 80 Km da viagem de 460 Km, da ponte para cá, tem só duas! Mas na verdade foi porque o ônibus ficou 40 min parado na garagem em Campo Grande.
E fomos, eu lembrando do Mané e ele como se me conhecesse a vida toda, achou até que foi ele quem me deu aulas de auto escola, acho que deu para todos meus primos, mas tirei carteira em Piracicaba.
Contou de todos o bernardenses, eu bem que conheço alguns! Foi falando de todas as fazendas por qual passava-mos, dos rios, das estradas de terras que entravam sertão adentro e onde iam dar, quantas pontes tinham, quantas porteiras e colchetes havia. Assim como quem fala do quintal. Ai que fui saber que o Mané é conhecido como o Mapa de Mato Grosso. Não há nome ou numero que ele esqueça. E também não há caminho pelo qual ele já não tenha passado. Ele vende fazendas, picareta como se chama o oficio de vender fazendas. Ele só não andou por tudo como voou e também navegou por todos os lados do Mato Grosso, Rondônia e Pará etc... onde tem terra bruta pra vender o Mané já foi.
enviada por Pantaneiro
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
|